24.8.06

Varig

A VARIG foi durante décadas sinônimo de glamour nos céus, voando com seus aviões modernos, tendo um serviço de bordo impecável e sendo reconhecida como uma das melhores companhias aéreas do mundo. Mas isso é passado. Inúmeras crises financeiras, perda de prestígio, queda nos padrões e más administrações, sucatearam a mais famosa companhia aérea brasileira, que nos dias de hoje tenta se reerguer, praticamente começando do zero.
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A história
Fundada no dia 7 de maio de 1927 na cidade de Porto Alegre no Rio Grande do Sul, a VARIG (Viação Aérea Rio-Grandense) foi a primeira empresa de transporte aéreo no Brasil e uma das primeiras no mundo. Suas origens remontam a 1921 quando seu idealizador, o alemão Otto Ernst Meyer, um piloto da força aérea alemã, veio para o Brasil. A VARIG começou com uma linha de apenas 270 quilômetros - Porto Alegre - Pelotas - Rio Grande, que no seu primeiro ano de atividade realizou 85 vôos, transportou 652 passageiros e voou 210 horas. Os primeiros pilotos da VARIG eram todos alemães. Sua primeira aeronave foi uma hidroavião Dornier Do J Wal, apelidado de Atlântico, com capacidade para nove passageiros e considerado um dos mais modernos de sua época, que fez seu vôo de estréia de Porto Alegre a Rio Grande. Por muitos anos, aeronaves de origem germânica equiparam primordialmente a empresa, com algumas exceções. Em 1932 comprou seu primeiro avião com trem de pouso, um Junkers A-50 Junior e depois o Junkers F.13, iniciando suas operações em Porto Alegre, no terreno que daria origem ao Aeroporto Internacional Salgado Filho.
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A VARIG enfrentava dificuldades naturais de um empreendimento pioneiro, mas, em 1933, já servia a quase todo o território do Rio Grande do Sul, com linhas para Bagé, Livramento, Uruguaiana, Santa Cruz, Torres, Cruz Alta, Santa Maria, Santo Ângelo e outras cidades. Em 1941, o presidente da companhia desde sua fundação, Otto Ernst Meyer entrega o controle ao primeiro funcionário, Ruben Berta, que a presidiu até morrer, em 1966. Com a mudança do panorama político nesta década, a VARIG passou a utilizar equipamentos de origem norte-americana como os Lockheed 10A Electra, Douglas DC-4, DC-3 e Curtiss C-46 Commando. Nesta época foram iniciados os primeiros vôos internacionais: no dia 5 de agosto de 1942 foi inaugurada a linha para Montevidéu no Uruguai. Logo depois, Buenos Aires. Algum tempo depois, novas linhas foram estabelecidas: Florianópolis, Curitiba, São Paulo e, em 1951, com a aquisição da Aero Geral, Rio de Janeiro, completando-se assim, a interligação de todas as capitais do sul do Brasil. Até este momento, a VARIG operou principalmente na região sul-sudeste do Brasil.
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Neste ano, com a aquisição da Aerogeral, uma pequena e deficitária companhia aérea, a VARIG prolongou sua rota até Natal, ao norte do país. Na primeira metade da década de 50, foram recebidos os primeiros Lockheed Constellation e com eles, em 1955 a VARIG inaugurou os vôos para Nova York. Com suas novas responsabilidades, a VARIG criou um serviço de bordo de alto padrão. Empenhou-se igualmente no cumprimento rigoroso de seus horários e a oferecer o melhor atendimento aos passageiros, em terra e no vôo. Um exemplo disso eram seus escritórios de reservas e atendimento aos passageiros e clientes no exterior, considerados verdadeiros consulados extra-oficiais do país, pois prestavam os mais variados serviços de apoio e forneciam inúmeras informações ao público brasileiro em viagem. Além da excelência no atendimento, essas lojas também eram famosas pelo seu requinte e localização privilegiada como a de Paris que ficava em plena Avenida Champs-Élysées e a de New York instalada no Rockefeller Center.
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Em 1959 tornou-se pioneira na operação de aeronaves a jato no país, com o recebimento do primeiro Sud Aviation Caravelle. No ano seguinte foi incorporado o primeiro Boeing 707. Nas décadas de 60 e 70, expandiu-se tanto em âmbito doméstico como internacional, graças à incorporação de outras empresas, como o Consórcio Real Aerovias (o que lhe abriu uma rota para o Pacífico até Los Angeles, com escala em Lima, Bogotá e México e uma linha para Miami, passando pela América do Sul), adquirido em 1961; a Cruzeiro do Sul, da qual assumiu o controle acionário em 1975; e a Panair do Brasil, que durante décadas haviam sido sua principal concorrente. Herdando aeronaves e as rotas para a Europa da Panair, a VARIG passou a ser a maior companhia aérea do Brasil e da América Latina, reinando praticamente sozinha no mercado internacional.
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Nos anos seguintes, a frota foi padronizada com aeronaves da Boeing, principalmente os modelos 727 e 737. Já na década de 80 recebeu seus primeiros 747-200 que primeiramente foram colocados nas rotas para Nova Iorque, Los Angeles e Tóquio. A VARIG foi a única companhia aérea brasileira a operar o Jumbo, como era chamado o modelo 747-200. A frota de jumbos foi gradativamente crescendo, até contar com 11 unidades operadas simultaneamente. Ainda nesta década década criou a Rio Sul, uma companhia aérea regional para operar linhas aéreas servindo o interior do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, Paraná e entre o Rio de Janeiro e a cidade de São José dos Campos em São Paulo. Nos anos 90 a empresa começou a adquirir novas aeronaves, como Boeing 737-300, 767-200ER, 767-300ER e MD-11, para substituir os modelos mais antigos, como os Electras II da ponte aérea, os 727-100 e os quadrimotores 707. Nesta época a empresa lançou suas novas rotas: Orlando, Washington, Atlanta, Hong Kong e Bangcoc. Também comprou a Nordeste Linhas Aéreas S.A. Ao final de 1997, deu mais um passo importante, ao anunciar sua entrada na Star Alliance, a maior aliança de empresas aéreas do mundo.
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Mesmo assim, começou um doloroso processo de enxugamento: devolveu os Boeing 747, cortou rotas e destinos, demitiu funcionários. Era o começo de uma crise sem fim. Encolheu num momento em que os concorrentes se expandiam. Sua supremacia e indiscutível qualidade de serviços, que a fizeram crescer e se tornar respeitada, já não eram os mesmos. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, em 1999 a VARIG recebeu o prêmio de Melhor Companhia Aérea da América Latina, Central e Caribe e também de Melhor Transportadora de Carga Aérea das Américas no século XX. Nos anos seguintes a situação se agravou ainda mais, e, em 19 de julho de 2006 a empresa foi vendida por US$ 24 milhões, em leilão, para a VarigLog, sua ex-subsidiária no transporte de cargas, que assumiu os bilhetes emitidos e o passivo (milhas acumuladas). Funcionários demitidos, devolução de aeronaves, perda de rotas, diminuição considerável de sua malha aérea e inúmeros vôos cancelados. Uma história triste para uma das marcas mais clássicas e respeitadas do Brasil.
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Essa história culminou com sua compra no mês de março de 2007 pela companhia Gol Transportes Aéreos por US$ 320 milhões. Sob o comando da nova proprietária a VARIG passou a operar nas rotas internacionais de médio percurso para Bogotá (Colômbia), Caracas (Venezuela) e Santiago (Chile), além de oferecer um vôo diário para Buenos Aires (Argentina). Por meio da nova Classe Comfort a VARIG disponibiliza uma série de diferenciais aos clientes, como maior espaço entre poltronas, mais privacidade a bordo, bônus de 25% no acúmulo de milhas SMILES, serviço de bordo com mais opções de pratos quentes e entretenimento de bordo individual disponibilizado através do PEA - Personal Entertainment Appliance - com uma grade de programação exclusiva que conta com filmes, séries, música, jornais e jogos eletrônicos.
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A linha do tempo
1958
Sempre com iniciativas que a caracterizaram como a “Pioneira” nos transportes aéreos do continente, lançou o primeiro serviço doméstico com Super Constellation de Luxo para o norte do país.
1962
Recebeu o primeiro dos 14 Lockheed L-188 Electra, que se tornaram famosos na Ponte Aérea Rio-São Paulo. O primeiro Lockheed L-188A Electra II operado pela VARIG, de prefixo PP-VJM, encontra-se hoje no Museu Aeroespacial do Campo dos Afonsos no Rio de Janeiro.
1968
Inauguração de sua linha regular para o Japão, com vôos para a cidade de Tóquio.
1974
Incorporação a sua frota do primeiro Douglas DC-10-30 (prefixo PP-VMA) e do primeiro Boeing 737-200.
1981
Incorporação à sua frota do primeiro Boeing 747 (prefixo PP-VNA).
1986
Incorporação à sua frota do primeiro Boeing 767, modelo -200 (prefixo PP-VNL).
1991
Incorporação à sua frota dos dois primeiros McDonnell Douglas MD-11, seguido pelo primeiro Boeing 747-400.
1994
Lançamento do programa de fidelidade e milhagens SMILES. Atualmente o programa também oferece aos participantes que voam freqüentemente com a GOL ou com a VARIG, além de poder trocar milhagens, a possibilidade de upgrade de categoria no programa que proporcionam ainda mais privilégios como acesso à Sala VIP Smiles, maior franquia de bagagem e muito mais.
2000
Criação da Varig Log, que já nascia como a terceira maior empresa do grupo. A empresa foi vendida em 2005 para um grupo de investidores.
2001
Incorporação à sua frota do primeiro Boeing 777 (prefixo PP-VRA, batizado como Otto Meyer).
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Glamour nos céus
A VARIG transportou inúmeras celebridades e pessoas famosas durante sua gloriosa história, dentre elas: o Papa João Paulo II, os jogadores da Seleção Brasileira de Futebol, presidentes de várias nações, seleções de futebol, artistas, entre outros. Alguns momentos marcantes na história da empresa foram o transporte do corpo do piloto Ayrton Senna da Itália para o Brasil; a chegada da seleção brasileira tetracampeã no espaço aéreo de Brasília em 1994 sob as asas de um DC-10-30 com pintura comemorativa da seleção e escoltado por jatos da Força Aérea Brasileira, seguida do taxiamento da aeronave com o jogador Romário empunhando a bandeira brasileira na janela da cabine de comando.
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Os acidentes
Durante sua gloriosa história a VARIG enfrentou quatro graves acidentes com seus aviões:
Vôo 820 próximo a Paris (11 de julho de 1973): Um Boeing 707 fez um pouso forçado devido a um incêndio em um dos banheiros, resultando na morte de 123 pessoas, entre eles Filinto Müller, ex-chefe da polícia política de Getúlio Vargas; o cantor Agostinho dos Santos; e a socialite Regina Léclery. Os poucos sobreviventes eram tripulantes, que correram para a cabine de comando, além de um único passageiro.
Boeing 707-323 Cargo prefixo PP-VLU (30 de janeiro de 1979): Sob o comando do mesmo piloto do voo 820 de Paris (um dos poucos sobreviventes), o avião desapareceu sobre o oceano cerca de trinta minutos após a decolagem do aeroporto da cidade de Tóquio. Nenhum sinal da queda (destroços ou corpos) jamais foi encontrado. O vôo de carga transportava, entre outros itens, 153 quadros do pintor Manabu Mabe, que voltavam de uma exposição no Japão.
Vôo 797 entre Abidjan e o Rio de Janeiro (2 de janeiro de 1987): O Boeing 707 cai quando tentava regressar ao aeroporto africano com problemas em um dos motores. Dos 51 ocupantes somente 1 sobreviveu.
Vôo 254 próximo a São José do Xingu (3 de setembro de 1989): Um erro de navegação do comandante Garcez e do co-piloto Zille fez com que o avião, um Boeing 737-200, vagasse sobre a Amazônia até que o combustível terminasse, obrigando-os a um pouso forçado noturno na selva. Doze dos 48 passageiros morreram no acidente.
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A evolução visual
Em 1996, a VARIG adotou uma nova identidade visual, aposentando sua identidade clássica, uma das imagens corporativas mais duradouras na aviação. Com sua aquisição pela GOL, a VARIG mudou novamente sua identidade visual. O logotipo da VARIG (que passa a contar com a bandeira brasileira) e a cor azul na estrela (rosa-dos-ventos) que há 80 anos é o símbolo da companhia seguiram predominantes. Porém, a rosa-dos-ventos ganhou toques de laranja, a cor da sua nova dona. Outra novidade foi a introdução de ondas que simulavam a aerodinâmica de uma aeronave em vôo. As novas linhas também estavam presentes na pintura moderna das aeronaves e nos uniformes da tripulação. A nova pintura dos aviões trazia uma característica interessante: a rosa-dos-ventos desenhada na cauda pode ocupar 4 posições diferentes para que quando mais de uma aeronave estiver ancorada no pátio do aeroporto, possa formar um desenho extra observando as caudas dos aviões.
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A mascote
No final dos anos 80, foi criado o Variguinho, um personagem infantil que se tornoua mascote da companhia aérea VARIG. O personagem foi idealizado pelo publicitário Luiz Briquet e desenhado por Ruy Perotti. Tinha o formato de um pequeno avião humanizado, com corpo “rechonchudo”, nariz preto e usando as asas como braços. A figura do aviãozinho foi usada em desenho animado para filmes comerciais para TV, vídeos institucionais e uma série de revistas em quadrinhos que chegou a ter 30 edições publicadas (distribuídas em vôos e vendidas em bancas de jornais). A revista era publicada pela Editora Ícaro, da própria VARIG, com arte de Carlos Avalone e textos de Sonia Salerno Forjaz, entre outros. As publicações traziam ainda passatempos e informações de curiosidades relativas à aviação.
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Os slogans
É mais que voar.
A maneira mais elegante de voar.
A estrela brasileira.
Varig, Varig, Varig!
Acima de tudo, você.
A Pioneira.
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* Por 46 anos, os brasileiros se acostumaram a ouvir, no Natal, o jingle “Varig, Varig, Varig”, que dizia que Papai Noel voava a jato pelo céu. Clique aqui para ouvir o jingle.
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Dados corporativos
● Origem:
Brasil
● Fundação:
7 de maio de 1927
● Fundador: Otto Ernst Meyer
● Sede mundial: Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
● Proprietário da marca: Gol Transportes Aéreos
● Capital aberto: Não (subsidiária)
● Presidente: Constantino de Oliveira Junior
● Faturamento:
Não divulgado
● Lucro:
Não divulgado
● Frota: 24 aeronaves
● Destinos:
6
● Programa de milhagem:
Smiles
● Principais Hubs: Aeroportos de Cumbica e Congonhas (SP), Salgado Filho (RS) e Cofins (MG)
● Presença no Brasil: 4 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários:
3.500
● Segmento:
Aviação
● Principais produtos:
Aviação comercial
● Ícones:
A estrela (rosa-dos-ventos) de seu logotipo
● Slogan: É mais que voar.
● Website:
www.varig.com
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A marca no mundo
Atualmente a VARIG possui uma pequena frota de 24 aeronaves que realizam vôos regulares para seis destinos internacionais de curto alcance como Bogotá, Santiago, Buenos Aires e Caracas. O programa de milhagem da empresa conta com 5.9 milhões de membros.
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Você sabia?
Ao longo de mais de 80 anos de existência a VARIG transportou mais de 215 milhões de passageiros, voou mais de 7 milhões de horas, realizou mais de 2 milhões e quinhentos mil vôos e seus aviões deram cerca de 115 mil voltas ao redor da terra.
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As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Exame, Veja, Época Negócios e Isto é Dinheiro), sites especializados em Marketing e Branding, site de aviação
Jetsite, Clube do Jingle e Wikipedia (informações devidamente checadas).
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Última atualização em 24/7/2009

8 comentários:

Anônimo disse...

eu não gostei do que vcs escreveram como a ex-estrela do ceu

Anônimo disse...

VARIG=Varios Alemães Ricos Iludindo os Gau'chos. RIP

Roberto L Pereira. disse...

Uma grande empresa aérea do Brasil, com um bom serviço, mas que infelizmente sempre esteve envolta em maracutais com o governo, em especial o caso da PANAIR, que foi fechada para beneficiar a Varig. Administrações despóticas, nepotistícas, em que pese ter sido fundada por alemães, sempre carregou no seu seio administrativo, o ranço atávico do modelo perdulário português de gerenciamento, que volta e meia necessita da mão aberta do governo em socorro de uma sobrevida. Roberto L Pereira.

Anônimo disse...

Péssimo título. Será que a TAM é a nova estrela brasileira? Acho que não, a minha é que não é. Táxi Aéreo Marília... Como pode...

Hélio disse...

Falta aqui a Azul Linhas Aéreas que fará vôos em 2009.

Airton Felício disse...

É muito triste que uma empresa de mais de 80 anos, com uma história tão bonita, com atendimento eficiente e requintado, com escritórios em plena Av. Champs-Elyseés, deixe de voar simplesmente por má administração, deixando o cargo de "Estrela do Céu" fique para companhias como TAM, Gol e novatas como Azul.

IDEOmaniaco! disse...

a companhia poderia ser mal administrada mas NUNCA foi mal operada. Os pilotos eram os melhores, os comissarios também. OS funcionarios de terra eram referencia. Tive o privilegio de trabalhar entre 1996 e 2000 nos anos da gestão de Fernando Pinto, que depois de ser demitido, inexplicavelmente, ainda é ironicamente o melhor presidente que da TAP.

Marcelo disse...

Legal o post, só faltou o link da fonte original do perfil do 727:

http://perfisdeavioes.blogspot.com/2008/03/727-varig-e-transbrasil-nos-bons-tempos.html

Abs!